Devo ser franca. As palavras já não são mais capazes de conter aquilo tudo que há muito tempo transborda de meu ser.
Encontro-me no ponto comum do círculo infinito da vida e, talvez por conseqüência disso, não sei o que fazer. O mundo ao meu redor é apático, sem cor, sem futuro. Sem reação, contempla o instante ínfimo da morte. Desdobra-se em uma sociedade que já não pulsa; colapsa.
Não sei o que fazer. E hoje, isso é tudo o que sei. Eu, que interiormente sempre me vangloriei de a tudo sempre tentar entender... Hoje me recolho novamente à sombra, enquanto a destruição traz-me indelével nostalgia. Quero também destruir-me por completo, se vier intrínseco o renascimento. Também eu, sem reação, contemplo o instante ínfimo da morte. E não mais julgo, porque simplesmente cansei disso tudo.
Cansei do que eles dizem, do que eles pensam. Cansei de enxergar ar armadilhas. Cansei de saber muito bem onde se encontra o veneno de cada frase, de cada coisa que alguém profere... Cansei de sentir-me perseguida, incompreendida, excluída, rebaixada. Afinal, não serão as trevas o centro do mundo e, com isso, destituo-me assim de toda a paranóia.
Queria ser outra, sem deixar de ser eu mesma. Não, não... Isso ainda não é verdade.
Há um universo que não cabe dentro do meu corpo. Quero expandi-lo, libertá-lo; minha mente e meu coração imploram por isso. Porém, o espectro do infinito turva minha visão deste mundo, e ela mesma me levará embora, novamente.
Pois, eis que não sei o que fazer. Somente as palavras já não são mais capazes de conter aquilo tudo que há muito tempo transborda da própria criação.
Fim
