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domingo, 2 de junho de 2013

Faz algum tempo





Aquela menina dos olhos claros... Ela é o engodo autodenominado. Ouvi que está foragida, qual foi o crime? Ninguém sabe. E a recompensa pelo seu encontro? Nenhuma, o que não muda nada: todos a procuram. Que pena ter de admitir a mediocridade na vida - eu a procuro também.

Essa menina... Dela eu não ouso recordar o verdadeiro nome. Apenas porque só pude conhecer metade das alcunhas que teve; e a outra metade, que não me foi dado saber, me dói.

Quão duvidosa me é a memória: conheci-a tão bem e ainda hoje não sei quem ela é. E àqueles a quem perguntei, responderam: acho que é divina, acho que é fantasma, acho que é puta.
Engraçado. Sempre supus ser ela muito mais que mero ponto de discórdia universal.

Sim, eu sei: entre o divino e o vivo, entre o divino e o morto, entre o real, o animal e o ficcional, além daquele mar, atrás da minha parede, ela reside.

Tu me ouves? Pois me permita a metáfora: és sereia no aquário. Não, não lembrarei jamais teu nome, pois me exaspera saber que um dia já te dei o meu.

Aquela menina dos olhos claros... Um dia cantou para mim. E dizia: é o dom do desapego o que você precisa... O que você precisa, sim.
 

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