Acenei para a noite lá fora e questionei-a brandamente ‘─ Onde foi que deixei minha inspiração?’, ao que as sombras não tiveram resposta, porém as estrelas, impassíveis, continuaram a brilhar diretamente em meus olhos...
Peru, Nicarágua, Butão. E mais um mundo inteiro, um mundo inteiro que guardei em meus olhos; toda a paisagem inefável replicou à resplandecência perpétua. Pois que todos queriam corresponder às fulguras, todos também desejavam brilhar sem fenecer! As gigantes, soberanas mesmo à distância, logo deram cabo ao diálogo. Um consenso chegou a mim: Que fulgura eternamente apenas aquele que não conhece o tempo... Ou ignora seu fim.
Cáspite! Mais um segredo desvendado! Porém, ainda a dúvida: onde foi que deixei minha inspiração?
Ao longe, ao léu, dragões e flores recebiam a bênção protetora da geada; uma coruja caçava aos ratos e deixava sua sabedoria para depois; enquanto o zéfiro, querido zéfiro de toque gelado, vinha a mim, trazendo-me à consciência de meu próprio rosto. E sussurrava:
Inspiração não se deixa, não se esquece, não se trancafia! Jamais! É apenas a efêmera e majestosa visitante, que surge às vezes, no meio da madrugada, para tirar o sono daqueles que, num desvario cósmico, esquecem o tempo...
