A casa
antiga
Visito todo inverno.
Dão-me boas vindas,
Vastas cantigas
E o sorriso quente dos mais velhos.
- Menina! Que mãos frias!
Aqui o seu casaco,
O sol da vidraça,
Um cobertor pesado,
A botija,
O chá de guaco
E o teu passado.
Lágrimas brotam sobre efígie estática
Um retrato
Um casaco
Uma lembrança
O mesmo casaco
Um ponteiro
Um relógio
Uma esperança.
Nas mãos, o mesmo
Casaco e tempo.
Não, não o tempo.
- Avozinha,
guarde-o bem
Venho buscá-lo ano que vem.
