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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Casaco


 A casa antiga
Visito todo inverno.

Dão-me boas vindas,
Vastas cantigas
E o sorriso quente dos mais velhos.

- Menina! Que mãos frias!
Aqui o seu casaco,
O sol da vidraça,
Um cobertor pesado,
 A botija,
O chá de guaco

E o teu passado.

Lágrimas brotam sobre efígie estática
Um retrato
Um casaco
Uma lembrança
O mesmo casaco
Um ponteiro
Um relógio
Uma esperança.
Nas mãos, o mesmo
Casaco e tempo.
Não, não o tempo.


-  Avozinha,
 guarde-o bem
Venho buscá-lo ano que vem.



 

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