Devo ser franca. As palavras já não são mais capazes de conter aquilo tudo que há muito tempo transborda de meu ser.
Encontro-me no ponto comum do círculo infinito da vida e, talvez por conseqüência disso, não sei o que fazer. O mundo ao meu redor é apático, sem cor, sem futuro. Sem reação, contempla o instante ínfimo da morte. Desdobra-se em uma sociedade que já não pulsa; colapsa.
Não sei o que fazer. E hoje, isso é tudo o que sei. Eu, que interiormente sempre me vangloriei de a tudo sempre tentar entender... Hoje me recolho novamente à sombra, enquanto a destruição traz-me indelével nostalgia. Quero também destruir-me por completo, se vier intrínseco o renascimento. Também eu, sem reação, contemplo o instante ínfimo da morte. E não mais julgo, porque simplesmente cansei disso tudo.
Cansei do que eles dizem, do que eles pensam. Cansei de enxergar ar armadilhas. Cansei de saber muito bem onde se encontra o veneno de cada frase, de cada coisa que alguém profere... Cansei de sentir-me perseguida, incompreendida, excluída, rebaixada. Afinal, não serão as trevas o centro do mundo e, com isso, destituo-me assim de toda a paranóia.
Queria ser outra, sem deixar de ser eu mesma. Não, não... Isso ainda não é verdade.
Há um universo que não cabe dentro do meu corpo. Quero expandi-lo, libertá-lo; minha mente e meu coração imploram por isso. Porém, o espectro do infinito turva minha visão deste mundo, e ela mesma me levará embora, novamente.
Pois, eis que não sei o que fazer. Somente as palavras já não são mais capazes de conter aquilo tudo que há muito tempo transborda da própria criação.
Fim

2 viajantes interestelares:
Encontrei uma concha azulada e encantadora revestida de certa monstruosiade.
Enfim, talvez esse seja o limite. Talvez não exista o ''além'' para onde tu pode se libertar. É triste porém é inevitável e quando chegamos nesse limite a única coisa que podemos fazer é recomeçar, apagar em partes a jornada já percorrida e buscar sentir de novo tudo o que sentimos, como se fosse a primeira vez, e assim por diante, entretanto, isso é como um episódio do Chaves, por mais que eu tenha visto e revisto muito e até saiba as falas, sempre descubro a cada episódio algo que eu nunca tinha reparado. Então, voltar e recomeçar pode não ser tão ruim assim, podemos a cada partida, criar, sentir, descobrir e ser algo novo. Porque, o mundo, tal qual sentimos, só nos permite isso.
Demorei um mês para te responder, o tanto que tua resposta fez-me pensar. Na verdade, ainda encontro-me sem resposta, ainda a balança moral que carrego comigo permanece indiferente e alheia à perspectiva do "correto". Tanto o proposto "recomeçar o ciclo" como o antes pensado "destruir e reerguer" parecem-me boas opções, e posso dizer, a ambas escolho em ímpeto, quando a necessidade me atinge. Necessidade? Renovação é uma necessidade.Renovação. Renovação. Como escapar dela, se da natureza ela é parte, e da natureza provém a vida humana?
Eis que aí encontro parcela de minha resignação -ainda que não seja completa. É como uma flor que morre e deixa para trás semente, a qual em terra boa floresce novamente. A existência germina e deriva várias vezes, sem deixar de ser, essencialmente, uma só.
Se este é o destino de uma alma e consciência humanas, diria que esta inquietação, afinal, não é ruim. Não, não é tão ruim assim.
Ainda que a flor sinta que em suma, é ao mesmo tempo o fragmento e o todo de uma floresta inteira.
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Então diga-me, querido pirata, o que encontrou nestes mares: Monstros, tesouros, sereias ou apenas uma concha mágica azulada e encantadora?