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domingo, 18 de dezembro de 2011

calabouço


Sim, eu admiro a tua sombra. Admiro-a como quem admira as páginas que sobraram do livro,  outrora atirado à fogueira das inquietações mundanas. Pois que, enquanto tu queimas no vazio que existe entre o que foi e o que será, tua sombra permanece para fazer-me dúvida, crer-te sano, enquanto todas as outras verdades se prostituem.
Que mais poderá constituir teu trono pecaminoso? Quem mais poderá enlaçar-te plenamente, inefável fugaz? Acabaram-se os mistérios da idoneidade; esgotaram-se os ingênuos; escaparam-lhe das mãos os fracos. Quantos mais virão? E se você soubesse que apenas repete a história?  Escondido em falso júbilo, está o calabouço do mistério dos covardes.
Mandei que atirassem ao fogo, também, as chaves.

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Então diga-me, querido pirata, o que encontrou nestes mares: Monstros, tesouros, sereias ou apenas uma concha mágica azulada e encantadora?

 

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